quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Uso do celular ao volante no município de Santa Maria–RS: desafios, normas e ações educativas

PORTAL DA GESTÃO PÚBLICA

CURSO DE FORMAÇÃO DE AGENTE DE FISCALIZAÇÃO DE TRÂNSITO


DANUZA ESTEVES DE MEDEIROS

LILIANA GABRIEL SENGER

MARCO ANTÔNIO LARRÉA



1. Uso do celular ao volante no município de Santa Maria–RS: desafios, normas e ações educativas



SANTA MARIA–RS

2025



DANUZA ESTEVES DE MEDEIROS

LILIANA GABRIEL SENGER

MARCO ANTÔNIO LARRÉA



2. Uso do celular ao volante no município de Santa Maria–RS: desafios, normas e ações educativas


Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Formação de Agentes de Fiscalização de Trânsito, como requisito parcial para a obtenção do certificado de conclusão.


Orientador: Prof. Ilo Jorge de Souza Pereira



SANTA MARIA–RS
2025

Resumo

O presente trabalho tem como tema o uso do celular ao volante, com enfoque no município de Santa Maria, no estado do Rio Grande do Sul. A pesquisa é de caráter bibliográfico e tem como objetivo analisar os impactos do uso do celular durante a condução de veículos automotores, bem como compreender o que dispõe a legislação brasileira sobre o assunto e propor ações educativas e de conscientização que contribuam para a redução de infrações e acidentes no trânsito. Foram consultadas fontes oficiais, como o Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul – Detran/RS, o Código de Trânsito Brasileiro – CTB e publicações acadêmicas e jornalísticas. Constatou-se que o uso do celular ao volante é uma das principais causas de distração e acidentes no trânsito brasileiro, representando grave ameaça à segurança viária. Apesar de a legislação prever penalidades severas, a prática ainda é recorrente, exigindo intensificação das ações educativas e fiscalizatórias.

Palavras-chave: trânsito, celular, fiscalização, segurança viária, Santa Maria.


Sumário


  1. 1. INTRODUÇÃO

O trânsito é um espaço coletivo em constante movimento, que exige atenção, responsabilidade e respeito às normas. Com o avanço da tecnologia e a popularização dos smartphones, o uso do celular ao volante tornou-se uma das principais causas de distração entre os condutores. A prática, embora cotidiana, representa grave ameaça à segurança de motoristas, passageiros e pedestres.

De acordo com dados do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul – Detran/RS, o uso do celular ao volante figura entre as três maiores causas de mortes no trânsito no estado, perdendo apenas para o excesso de velocidade e a embriaguez ao volante. A distração provocada por ligações, mensagens e redes sociais reduz significativamente o tempo de reação do motorista, aumentando a probabilidade de acidentes.

No contexto do Município de Santa Maria, cidade polo da região central do Rio Grande do Sul, com intenso fluxo de veículos e grande número de condutores jovens, a temática adquire relevância local. O trabalho busca compreender a dimensão do problema, avaliar o que diz a legislação brasileira e propor ações de conscientização voltadas à segurança no trânsito.

O presente trabalho tem como objetivo geral analisar o uso do celular ao volante, seus impactos e implicações legais, bem como propor medidas de conscientização e fiscalização. Como objetivos específicos, pretende-se:

  • Investigar o que a literatura e pesquisas apontam sobre o comportamento de condutores que utilizam o celular ao dirigir;

  • Descrever a legislação brasileira vigente sobre o tema;

  • Identificar dados estatísticos relacionados ao uso de celular no trânsito, especialmente em Santa Maria – RS;

  • Apresentar sugestões de políticas públicas e ações educativas para reduzir tais práticas.

A metodologia adotada é a pesquisa bibliográfica, com base em documentos oficiais, artigos científicos, publicações de órgãos de trânsito e legislações pertinentes.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O uso do celular ao volante é uma das principais causas de distração no trânsito moderno. Segundo estudos de segurança viária, a distração pode ser classificada em três tipos: visual (quando o condutor desvia o olhar da via), manual (quando retira as mãos do volante) e cognitiva (quando perde o foco mental na direção). O uso do celular engloba três formas de distração, tornando-se especialmente perigoso.

Pesquisas realizadas por instituições de trânsito apontam que o risco de acidente pode aumentar em até 400% quando o condutor utiliza o celular enquanto dirige. Mesmo o uso de “viva-voz” ou aplicativos de navegação podem interferir na atenção, especialmente em situações de tráfego intenso.

O avanço da tecnologia e a necessidade de constante conexão social e profissional criaram o fenômeno da “dependência digital”, que se reflete também na condução de veículos. A sensação de urgência em responder mensagens ou atender ligações leva muitos condutores a subestimarem o risco, acreditando que “apenas um segundo” de distração não causa impacto.

No Brasil, campanhas nacionais como “Uma Mensagem Pode Esperar” e “Se Beber, Não Dirija; Se Dirigir, Não Use o Celular” têm buscado conscientizar motoristas. No entanto, os índices de infrações ainda são altos, indicando a necessidade de políticas mais eficazes de educação e fiscalização.

No contexto da formação de agentes de fiscalização de trânsito, compreender o comportamento do condutor e as causas da distração é essencial para planejar ações preventivas e educativas, e não apenas repressivas.

  1. 3. LEGISLAÇÃO BRASILEIRA SOBRE O USO DE CELULAR AO VOLANTE

O Código de Trânsito Brasileiro – CTB, instituído pela Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, estabelece no artigo 252, inciso VI, que é proibido dirigir o veículo utilizando fones nos ouvidos conectados a aparelhagem sonora ou de telefone celular, configurando infração média, sujeita à penalidade de multa.

Além disso, o artigo 252 do CTB, em seu parágrafo único, define como infração gravíssima o ato de segurar ou manusear telefone celular enquanto se dirige o veículo. Essa conduta acarreta multa no valor de R$ 293,47 e sete pontos registrados na Carteira Nacional de Habilitação – CNH.

É importante destacar que o uso do celular é proibido mesmo com o veículo parado em semáforo ou congestionamento. A lei considera o simples ato de segurar ou manusear o aparelho como infração. Falar com o auxílio de “viva-voz”, sem tocar no dispositivo, é permitido, mas ainda assim não é recomendado por reduzir a atenção cognitiva.

O artigo 261 do CTB também prevê a suspensão do direito de dirigir para condutores que atingirem o limite de pontos na CNH, conforme o sistema de pontuação em vigor — sendo 20, 30 ou 40 pontos, a depender da gravidade das infrações cometidas. Dessa forma, o uso indevido do celular ao volante representa não apenas um risco à segurança viária, mas também uma infração de natureza gravíssima, sujeita a penalidades severas e medidas administrativas previstas na legislação.

O Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN e os Departamentos Estaduais de Trânsito – DETRAN são responsáveis pela fiscalização e aplicação das penalidades. No caso do Rio Grande do Sul, o DETRAN/RS desenvolve campanhas educativas e coordena programas de segurança, como o “Vida no Trânsito” e “Vias + Seguras”.

Em 2020, a Lei nº 14.071/2020 atualizou o CTB, alterando os critérios de pontuação e ampliando o rigor das penalidades. As mudanças reforçaram a importância da responsabilidade individual no trânsito e do uso consciente da tecnologia.

  1. 4. PANORAMA DO USO DE CELULAR NO TRÂNSITO EM SANTA MARIA – RS

O município de Santa Maria possui cerca de 285 mil habitantes e uma frota superior a 180 mil veículos, conforme dados do Detran/RS (2024). Trata-se de um importante centro urbano e universitário, com intenso fluxo de veículos e motocicletas, o que torna a fiscalização um desafio constante.

De acordo com informações da Secretaria de Segurança e Ordem Pública de Santa Maria, o número de vítimas feridas em ocorrências de trânsito vem apresentando redução consistente ao longo dos últimos anos. Em 2019, foram registrados 1.163 feridos, enquanto em 2023 esse número caiu para 703, resultado que reflete os esforços integrados de fiscalização, educação e conscientização no trânsito desenvolvidos pelo município. Ainda assim, o uso de telefone celular ao volante permanece como uma conduta frequente e de alto risco entre os condutores.

Embora os dados municipais específicos sobre infrações por uso de celular ao dirigir ainda não sejam amplamente divulgados, levantamentos estaduais reforçam a relevância do tema. No Rio Grande do Sul, apenas em 2024 foram registradas 89.513 autuações por esse tipo de infração, e, até setembro de 2025, mais de 42 mil motoristas já haviam sido multados. No âmbito municipal, conforme dados da Secretaria de Segurança e Ordem Pública, foram registradas 1.463 infrações por uso de celular ao volante em 2023, 923 em 2024 e 443 em 2025, evidenciando a necessidade de manutenção e fortalecimento das ações educativas e fiscalizatórias.

Esses números indicam que o uso de celular é uma prática recorrente e de difícil controle. Em Santa Maria, pontos de grande fluxo — como avenidas Medianeira, Presidente Vargas e Fernando Ferrari — são locais potenciais para intensificação da fiscalização.

O município tem buscado fortalecer suas políticas de segurança viária. A criação de sistemas de registro e consulta de ocorrências de trânsito e a integração com campanhas estaduais mostram avanços, mas ainda há espaço para ampliar ações educativas e tecnológicas voltadas à redução da distração ao volante.

  1. 5. PROPOSTAS DE AÇÕES DE CONSCIENTIZAÇÃO E FISCALIZAÇÃO

Com base na revisão bibliográfica e na análise da legislação, propõem-se as seguintes ações que podem ser aplicadas no município de Santa Maria, com o objetivo de reduzir o uso do celular ao volante:

    1. 5.1. Campanhas Educativas Permanentes

  • Realizar campanhas contínuas, especialmente durante a Semana Nacional do Trânsito, com foco em jovens condutores e motoristas de aplicativos, utilizando depoimentos reais, vídeos retratando as causas e consequências dos acidentes causados devido o uso de celulares ao volante.

  • Utilizar mídias locais — como rádios, emissoras de televisão e redes sociais — para divulgar mensagens de conscientização que destaquem os riscos e as penalidades associadas ao uso do celular ao volante. As campanhas devem ter caráter educativo e de impacto, apresentando a realidade das consequências desse comportamento, além de orientar sobre técnicas e alternativas para o correto acondicionamento do aparelho ao ingressar no veículo. A proposta visa estimular a criação de novos hábitos entre os condutores, à semelhança do que ocorreu com o uso do cinto de segurança, atualmente incorporado à rotina da maioria dos motoristas.

  • Inserir o tema “uso do celular e distração ao volante” nos conteúdos programáticos das autoescolas e dos cursos de reciclagem de condutores. Além disso, promover simulações de blitz educativas, com ações de orientação e distribuição de materiais informativos sobre o tema, a fim de reforçar a conscientização e estimular comportamentos mais seguros no trânsito.

  1. 5.2. Fiscalização Integrada

  • Realizar blitzes específicas em locais de maior movimento, com uso de câmeras e agentes de fiscalização.

  • Integrar ações da Guarda Municipal, Polícia Rodoviária Estadual e Federal, Detran/RS, de forma a ampliar a abrangência da fiscalização, demostrando que a utilização do celular ao volante em qualquer via é perigosa e traz risco a todos os usuários da mesma.

  • Ampliar os sistemas de monitoramento eletrônico (câmeras de segurança urbana) para flagrar o uso de celular em tempo real. A implementação destes sistemas, por meio de câmeras de segurança urbana, amplia a capacidade de atuação das autoridades de trânsito. Essa medida contribui para reduzir comportamentos de risco, prevenir acidentes e reforçar o cumprimento da legislação vigente, ao identificar e autuar condutores que manuseiam o aparelho durante a condução. Além disso, o uso de tecnologia de monitoramento oferece dados precisos e confiáveis para análise estatística, subsidiando políticas públicas e campanhas educativas voltadas à segurança viária, com foco na proteção de motoristas, passageiros e pedestres.

5.3. Educação e Engajamento Comunitário

  • Promover palestras em escolas e universidades sobre os riscos da distração no trânsito, criando convênios com ações habituais sobre a conscientização do tema.

  • Incentivar empresas e motoristas profissionais a adotarem compromissos de segurança (“Eu não uso o celular ao dirigir”).

  • Criar prêmios ou selos para instituições e empresas que promovam direção responsável.

5.4. Tecnologia e Inovação

  • Estimular o uso de aplicativos de bloqueio de chamadas e notificações durante a condução.

  • Utilizar painéis eletrônicos nas vias com mensagens educativas em tempo real.

  • Desenvolver parceria com universidades locais para criação de projetos de monitoramento e análise de comportamento no trânsito.

  • Criar parcerias com montadoras de veículos e motocicletas, de forma a desenvolver compartimentos seguros para guardar aparelhos celulares enquanto carregam, suportes para proteção do aparelho e comunicação somente por bluetooth.

5.5. Planejamento e Avaliação

  • Criar um painel de indicadores municipais para acompanhar o número de autuações e acidentes envolvendo distração.

  • Estabelecer metas anuais de redução e publicar relatórios de acompanhamento.

  • Realizar avaliações periódicas das campanhas e ajustar estratégias conforme os resultados.


  1. 6. CONCLUSÃO

O presente estudo sobre o uso do celular ao volante no Município de Santa Maria – RS: desafios, normas e ações educativas evidenciou que essa prática representa um grave risco à segurança viária, sendo um dos fatores que mais contribuem para acidentes de trânsito. A análise da legislação vigente, especialmente do Código de Trânsito Brasileiro (CTB, art. 252, VI), mostrou que o uso do aparelho durante a condução é considerado infração gravíssima, com penalidades que incluem multa, pontos na CNH e suspensão do direito de dirigir.

Além dos aspectos legais, os dados estatísticos e pesquisas sobre comportamento do condutor revelam que a distração causada pelo celular compromete significativamente o tempo de reação e aumenta a probabilidade de colisões, colocando em risco não apenas o condutor, mas também pedestres e outros usuários da via.

O uso do celular ao volante é um problema crescente e multifatorial, que envolve aspectos tecnológicos, comportamentais e culturais. Apesar da existência de uma legislação clara e de penalidades severas, o comportamento de risco persiste, exigindo uma abordagem que una educação, fiscalização e conscientização.

No município de Santa Maria – RS, observa-se avanço nas políticas de mobilidade e na redução geral de acidentes, mas ainda há carência de dados específicos sobre o uso do celular ao volante. A lacuna de informações locais dificulta o planejamento de ações direcionadas, reforçando a necessidade de investimentos em coleta e transparência de dados.

A conscientização do condutor é a chave para a mudança de comportamento e para isso, o desenvolvimento de políticas públicas voltadas ao tema é fundamental, servindo de subsídio para ações realizadas pelo agente de fiscalização de trânsito, ao qual cabe, além de atuar como um aplicador da lei, também educar e multiplicar boas práticas, promovendo um trânsito mais seguro, humano e responsável.

Conclui-se assim, que a soma de esforços entre poder público, sociedade e órgãos de fiscalização é necessário para reduzir os índices de distração e acidentes causados pelo uso de celular. A segurança no trânsito depende, sobretudo, de escolhas conscientes e da valorização da vida.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997. Institui o Código de Trânsito Brasileiro. Diário Oficial da União, Brasília, 1997.

BRASIL. Lei nº 13.281, de 4 de maio de 2016. Altera dispositivos do Código de Trânsito Brasileiro. Diário Oficial da União, Brasília, 2016.

BRASIL. Lei nº 14.071, de 13 de outubro de 2020. Altera o Código de Trânsito Brasileiro. Diário Oficial da União, Brasília, 2020.

CONTRAN – Conselho Nacional de Trânsito. Resolução nº 909/2022. Dispõe sobre infrações de trânsito e penalidades. Brasília, 2022.

DETRAN-RS. Uso do celular ao volante é a terceira maior causa de mortes no trânsito. Porto Alegre, 2024. Disponível em: https://www.detran.rs.gov.br. Acesso em: 28 out. 2025.

JORNAL DO COMÉRCIO (RS). Diretora do Detran equipara uso de celular ao volante a consumo de álcool. Porto Alegre, fev. 2025.

T7 NOTÍCIAS. Mais de 40 mil motoristas multados por uso de celular no RS. Porto Alegre, set. 2025.

SANTA MARIA (Prefeitura Municipal). Relatório de ocorrências de trânsito. Santa Maria, 2024. Disponível em: https://www.santamaria.rs.gov.br. Acesso em: 28 out. 2025.

PORTAL DO TRÂNSITO. Uso de celular ao volante cresce no RS e infrações ultrapassam 89 mil em 2024. Curitiba, 2025.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Exploração de Petróleo no Estado do Amapá


1.        A nova fronteira: a Margem Equatorial Brasileira

A Margem Equatorial Brasileira, que se estende do litoral do Amapá até o Rio Grande do Norte, é vista como a nova fronteira para petróleo e gás no país. A Bacia da Foz do Amazonas (litoral do Amapá, em águas profundas) se destaca como área promissora. Estimativas indicam potencial de até 1,1 milhão de barris de petróleo por dia, em caso de sucesso da exploração.

2.       Situação atual no Amapá

O bloco exploratório FZAM059, localizado a cerca de 175 km da costa do Amapá, está no centro das operações. Em outubro de 2025, o IBAMA concedeu licença para perfuração exploratória — ainda não para produção. A Petrobras posicionou um navio-sonda e prepara a logística para iniciar os testes.
O governo estadual anunciou a construção de um complexo logístico e industrial entre Macapá e Santana para apoiar as operações, além de programas de qualificação de mão-de-obra e estímulo à cadeia de fornecedores locais.

3.        Impactos esperados

Econômicos: estudos indicam possível aumento de 61,2% no PIB estadual e geração de cerca de 54 mil empregos diretos e indiretos, com royalties e investimentos em infraestrutura.

Ambientais e sociais: a área é sensível, com ecossistemas de mangue e comunidades tradicionais. O MPF recomendou atenção especial a estudos de impacto e medidas de proteção ambiental.

4.       Desafios e controvérsias

Ainda há incerteza sobre o volume real das reservas e a viabilidade econômica. O debate sobre os riscos ambientais é intenso, com defensores da exploração destacando o potencial de desenvolvimento e críticos alertando para impactos irreversíveis. A infraestrutura limitada e a distância da costa também são desafios técnicos e logísticos.

5.       Conclusão

A exploração de petróleo no Amapá representa uma grande oportunidade econômica e estrutural para o estado, mas requer prudência diante dos riscos ambientais e sociais. O projeto está em fase de prospecção, e o futuro dependerá dos resultados das perfurações e do equilíbrio entre desenvolvimento e preservação.

domingo, 2 de novembro de 2025

A Segurança Pública do Estado

 

Por: Ilo Jorge de Souza Pereira 

Especialista em Gestão Pública e Política


A importância da Segurança em suas diversas dimensões na sociedade brasileira.

A palavra "segurança" tem um significado amplo e multifacetado, que vai muito além do senso comum de proteção contra crimes ou perigos imediatos. 

No Brasil, as pesquisas de opinião destacam a segurança como uma das maiores preocupações da população, associada à sensação de proteção e estabilidade em diversas áreas da vida. 

Entre as categorias mais relevantes estão a segurança alimentar, viária, patrimonial e financeira, mas a que mais se destaca nas preocupações nacionais é a segurança pública promovida pelos agentes do Estado.

Segurança alimentar, viária, patrimonial e financeira

- Segurança alimentar é fundamental para garantir que toda população tenha acesso a alimentos adequados e em quantidade suficiente, evitando a fome e a desnutrição, que impactam diretamente a saúde e o desenvolvimento social.

- Segurança viária envolve a prevenção de acidentes de trânsito, um problema grave no Brasil, com alto índice de mortes e invalidez, impactando diretamente a vida e o bem-estar das pessoas.

- Segurança patrimonial diz respeito à proteção dos bens materiais das pessoas, empresa e do Estado contra furtos, roubos e danos, resguardando a integridade do que é adquirido por esforço e trabalho.

- Segurança financeira está relacionada à estabilidade econômica individual e coletiva, incluindo proteção contra fraudes, golpes financeiros e garantias legais para investimentos e poupança.

A centralidade da segurança pública

Nas pesquisas brasileiras, a segurança pública é apontada consistentemente como a preocupação mais urgente. 

A segurança pública é a garantia da proteção dos direitos individuais, incluindo o direito à vida, à integridade física, à liberdade e à propriedade, assegurando que as pessoas possam exercer sua cidadania em ambientes seguros.

O desafio da segurança pública no Brasil é tamanho que o governo federal tem buscado fortalecer e modernizar suas ferramentas para combater a criminalidade de forma integrada e eficiente. 

Um exemplo recente é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa dar um status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), com a intenção de unificar e padronizar as ações das polícias e demais órgãos de segurança federais, estaduais e municipais, enfrentando a fragmentação atual que dificulta respostas coordenadas.

Desafios da segurança pública no Brasil

O Brasil enfrenta uma situação crítica marcada por altos índices de homicídios, criminalidade organizada, fragilidade das políticas públicas e descrença da população nas forças de segurança. 

A sensação de insegurança afeta profundamente a qualidade de vida, enquanto a atuação policial, marcada por problemas estruturais como sobrecarga, baixos salários, abuso de autoridade e corrupção, agrava a crise.

A segurança pública é, portanto, um tema complexo e interdisciplinar que demanda soluções integradas, que envolvam não apenas as forças policiais, mas também políticas sociais, educação, saúde e participação comunitária para a construção de uma sociedade mais segura e justa.

Essa reflexão amplia o entendimento sobre a segurança no Brasil, destacando sua importância em múltiplos aspectos e a urgência da melhoria da segurança pública para garantir o direito fundamental à proteção dos cidadãos.

domingo, 19 de outubro de 2025

Governo Lula anuncia investimento de R$ 65 milhões para fortalecer Guardas Municipais

O governo federal lançará na próxima quarta-feira (22) o programa Município Mais Seguro, uma iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) voltada ao fortalecimento e à qualificação das Guardas Municipais em todo o país.

De acordo com o ministério, o programa contará com investimento de até R$ 65 milhões, provenientes do Fundo Nacional de Segurança Pública, que serão aplicados em gestão, compra de equipamentos e capacitação de agentes. A medida será oficializada por meio da publicação de dois editais.

Além disso, o governo pretende realizar uma pesquisa nacional para mapear as condições de trabalho e o perfil dos guardas municipais, com o objetivo de subsidiar novas políticas de segurança.

Segundo o colunista Lauro Jardim, de O Globo, o investimento faz parte de um esforço do Planalto para aproximar as ações de segurança pública da realidade dos municípios, em um momento em que a violência é apontada como a principal preocupação dos brasileiros.

Uma pesquisa recente mostra que 30% da população considera a segurança o maior problema do país, superando temas como economia, corrupção e saúde. Em dezembro do ano passado, apenas 20% dos entrevistados tinham essa percepção — o que representa um aumento de 10 pontos percentuais no temor da criminalidade.


sábado, 18 de outubro de 2025

As possíveis Federações Partidárias para os próximos pleitos

Para as eleições gerais de 2026 no Brasil, as federações partidárias registradas ou em negociação são as principais estruturas formais de aliança entre siglas.

Abaixo estão as informações-chave com base no cenário recente de alianças e negociações observadas até 2025:

Resumo direto e atualizado 

União Progressista (PP + União Brasil): aliança já anunciada, formando uma das maiores bancadas e potencialmente influente no Legislativo.

MDB + Republicanos: movimento de federação em andamento com potencial para ocupar posição de destaque na Câmara e no Senado.

FEDERAÇÕES recentes com foco estratégico:

PRD + Solidariedade: pacto recente com foco em ampliar presença na Câmara.

PDT + PSB + Cidadania: negociação para uma federação tripla, visando ampliar força em órgãos legislativos.

Outros movimentos e possibilidades: há negociações envolvendo siglas como PT, PCdoB, PV (em contextos de federações já existentes ou novas formatações) e conversas entre PSDB, PSD, lembradas em análises públicas sobre cenários de 2026.

Contexto e implicações

As federações permitem maior conectividade entre bancada federal e execução de políticas públicas, além de facilitar acesso a recursos de emendas e governabilidade no Legislativo. 

Em 2025, observa-se intensificação de negociações entre siglas grandes para consolidar blocos com maior capacidade de barganha.

Além de formações já anunciadas, há sinalizações de que siglas médias e pequenas consideram federar-se para manter relevância frente às cláusulas de desempenho e à distribuição de cargos e liderança no Congresso.

Notas sobre fontes e dinâmicas

A agenda de 2026 tem sido marcada por anúncios formais de federações entre PP e União Brasil, bem como articulações entre MDB e Republicanos; outras federações têm surgido ou estão em negociação entre PDT, PSB, Cidadania, PRD, Solidariedade, PT, PCdoB, PV e potencialmente outras siglas.

O panorama é dinâmico: alianças podem evoluir, ser reconfiguradas ou novas federações podem aparecer conforme negociações avançam entre os partidos e com vistas a estratégias eleitorais e de governabilidade.



segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Eleições 2026: veja as principais datas e regras a um ano da votação

Presidente e governadores tomarão posse em 5 e 6 de janeiro de 2027, respectivamente; primeiro turno será em 4 de outubro; possível segundo turno será em 25 de outubro.

Daqui a um ano, em 4 de outubro de 2026, os brasileiros irão às urnas escolher o próximo presidente da República, assim como governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais no primeiro turno das eleições. O possível segundo turno será em 25 de outubro.

Uma das novidades do pleito é a mudança nas datas de posse: pela primeira vez, o presidente da República tomará posse em 5 de janeiro de 2027, os governadores no dia seguinte.

 

Veja principais datas

 

Regularização e novos títulos eleitorais

·         O prazo final é 6 de maio de 2026, e o serviço pode ser feito pela internet, nas páginas dos Tribunais Regionais Eleitorais.

Desincompatibilização

 

·         Candidatos que ocupam cargos na Administração Pública ou atuam em empresas com contratos com o Poder Público devem passar pela desincompatibilização, temporária ou definitiva. O objetivo é evitar o abuso do poder econômico ou político nas eleições. Os prazos variam de três a seis meses e são calculados com base na data do primeiro turno das eleições.

 

Janela partidária

 

·         Deputados federais, estaduais e distritais terão um mês para trocar de partidos sem risco de perder o mandato atual por infidelidade partidária. É a janela partidária que, pelo calendário, ocorre entre o início de março e o de abril.

 

Registro de partidos e federações

 

·         Até seis meses antes das eleições, no começo de abril, partidos e federações que vão apresentar candidatos nas eleições de 2026 devem ter os estatutos registrados no Tribunal Superior Eleitoral.

 

Domicílio de candidatos e renúncia para concorrer a outros cargos


·         Também a seis meses das eleições, no começo de abril, pessoas que pretendem disputar cargos devem ter definido o local onde vão se candidatar. Também é o fim do prazo para que presidente, governadores e prefeitos renunciem aos mandatos para concorrer a outras vagas.

 

Convenções partidárias

 

·         No Brasil, quem quer disputar as eleições precisa se filiar a partido político e ser escolhido nas convenções das siglas. Estas convenções serão entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026.

 

Registro de candidatos

 

·         Uma vez definidos os candidatos, a Justiça Eleitoral vai receber os registros dos nomes escolhidos até 15 de agosto.

 

Propaganda eleitoral

 

·         A propaganda eleitoral começa em 16 de agosto de 2026. Isso vale para a campanha nas ruas e na internet. No rádio e na TV, a propaganda começa 35 dias antes da antevéspera do pleito.


Veja principais regras

 

Urnas eletrônicas

Na última quinta-feira (2), o Tribunal Superior Eleitoral realizou a abertura do código-fonte das urnas eletrônicas e iniciou o processo eleitoral de 2026. A abertura faz parte do procedimento de fiscalização e auditoria do sistema eletrônico de votação previsto na legislação eleitoral.

O código-fonte é um conjunto de linhas de programação de um software, com as instruções para que o sistema funcione. A abertura permite a inspeção pela sociedade civil.

 

Até a data das eleições, o tribunal vai realizar uma série de testes com os equipamentos. Entre eles:

 

·         Teste Público da Urna, em dezembro de 2025, quando o tribunal coleta contribuições de especialistas em tecnologia da informação de fora da Justiça Eleitoral para aprimorar os sistemas eleitorais e as urnas eletrônicas,

 

·         Teste de Confirmação, em maio de 2026, quando os especialistas voltam para o TSE para uma nova rodada de testes.

 

Regras não podem ser mudadas

 

A um ano da votação, já não é mais possível alterar as regras do processo eleitoral para garantir a segurança jurídica. Um mecanismo na Constituição chamado princípio da anterioridade eleitoral impede que leis aprovadas a menos de um ano das eleições sejam aplicadas ao pleito.

 

No entanto, o Tribunal Superior pode detalhar o que já está na legislação, aprovando resoluções para organizar a votação, sem ir além do que está nas regras aprovadas pelo Congresso. O tribunal tem até o dia 5 de março de 2026 para definir a regulamentação.

 

Cláusula de desempenho

 

As exigências para que os partidos tenham tempo de propaganda no rádio e na TV, além de recursos do fundo partidário vão se ampliar. Para obter os benefícios, as legendas devem:

 

·         eleger, em 2026, pelo menos 13 deputados federais, distribuídos em pelo menos um terço dos estados e do Distrito Federal; ou

 

·         obter, no mínimo, 2,5% dos votos válidos em pelo menos um terço das unidades da federação, com um mínimo de 1,5% dos votos válidos em cada uma delas.

 

Candidaturas de negros e de mulheres

 

Mudanças aprovadas pelo Congresso Nacional escreveram, na Constituição, percentuais de aplicação de recursos em candidaturas de pessoas negras e de mulheres.

 

A alteração inseriu no texto entendimentos já adotados pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Tribunal Superior Eleitoral de que os partidos devem destinar, ao menos, 30% do fundo eleitoral e da parcela do fundo partidário relativa às campanhas eleitorais para mulheres, respeitando a proporção de candidatas. A medida também vale para propaganda em rádio e TV.

 

Em 2024, outra modificação fixou que candidaturas negras devem ter, no mínimo, 30% dos recursos destinados às campanhas eleitorais.

 Por Fernanda Vivas, TV Globo — Brasília