segunda-feira, 2 de março de 2026

PSB mantém liderança e Centrão avança na Alepe: o retrato da eleição estadual de 2022 em Pernambuco


Por: Prof. Ilo Jorge

No dia 2 de outubro de 2022, os eleitores pernambucanos foram às urnas para escolher seus representantes nos poderes Executivo e Legislativo. No âmbito estadual, foram definidas as 49 cadeiras da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para o mandato 2023–2026.

O resultado confirmou a força de partidos tradicionais no estado, mas também evidenciou o avanço de legendas do chamado “Centrão”, redesenhando o equilíbrio político da Casa.

Sistema proporcional e impacto na distribuição de cadeiras

A eleição para deputado estadual no Brasil segue o sistema proporcional. Nesse modelo, os votos são contabilizados tanto para os candidatos quanto para os partidos, e a distribuição das cadeiras ocorre com base no quociente eleitoral e no quociente partidário.

Esse mecanismo explica por que nem sempre os mais votados individualmente garantem vaga automaticamente - o desempenho coletivo das legendas é decisivo para a formação das bancadas.

O mais votado e os principais destaques

O candidato mais votado em Pernambuco foi Pastor Júnior Tércio (PP), com 183.735 votos, o equivalente a 3,66% dos votos válidos. Em seguida apareceram:

  • Coronel Alberto Feitosa (PL) – 146.847 votos
  • Delegada Gleide Ângelo (PSB) – 118.869 votos
  • Antônio Coelho (UNIÃO) – 91.698 votos
  • Rodrigo Novaes (PSB) – 85.107 votos

O resultado revelou uma distribuição relativamente pulverizada de votos entre diferentes partidos, refletindo a diversidade política do estado.

Em dezembro de 2022, uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral alterou a composição inicial da Alepe: Lula Cabral (Solidariedade) passou a integrar a lista de eleitos após revisão da totalização dos votos.

PSB lidera, mas Centrão cresce

Na comparação com 2018, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) manteve a liderança na Assembleia e ampliou sua bancada de 11 para 14 cadeiras.

Entretanto, o dado mais relevante foi o crescimento das legendas de centro e centro-direita. A União Brasil, inexistente como partido em 2018 (resultado da fusão DEM-PSL), conquistou cinco cadeiras em 2022. O PL saltou de duas para cinco cadeiras, enquanto o Solidariedade passou de uma para três.

O PP, que tinha 10 deputados em 2018, reduziu sua bancada para oito em 2022.

A nova composição da Alepe ficou marcada por:

  • 14 cadeiras do PSB
  • 8 do PP
  • 5 do União Brasil
  • 5 do PL
  • 3 do Solidariedade
  • 3 do PT
  • 3 do PSDB
  • 3 do PV
  • Representações menores de Republicanos, Patriota, PCdoB e PSOL

Mais diversidade partidária

Outro fenômeno observado foi o aumento da fragmentação partidária. Partidos como PV e Patriota ampliaram sua presença na Casa, sinalizando uma pulverização maior dos votos proporcionais.

Esse cenário amplia o desafio de articulação política no Legislativo estadual, exigindo maior capacidade de negociação entre bancadas para aprovação de projetos.

Renovação e continuidade

A taxa de renovação também chama atenção. Assim como em 2018, quando cerca de metade dos deputados foi renovada, o pleito de 2022 manteve uma dinâmica significativa de alternância, com novos nomes conquistando espaço ao lado de parlamentares experientes.

O que o resultado sinaliza

O retrato das urnas em 2022 mostra três movimentos claros:

  1. Manutenção do PSB como principal força política estadual.
  2. Crescimento consistente de partidos do Centrão, alinhado ao cenário nacional.
  3. Maior diversidade partidária e fragmentação na Assembleia.

O novo arranjo político da Alepe tende a influenciar diretamente as pautas prioritárias do estado no período 2023–2026, especialmente em áreas como desenvolvimento regional, segurança pública e políticas sociais.

Mais do que números, o resultado revela um Legislativo plural, marcado por disputas ideológicas e pela necessidade constante de construção de consensos.

 

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