No dia 2 de outubro de 2022, os eleitores
pernambucanos foram às urnas para escolher seus representantes nos poderes
Executivo e Legislativo. No âmbito estadual, foram definidas as 49 cadeiras da
Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para o mandato 2023–2026.
O resultado confirmou a força de partidos
tradicionais no estado, mas também evidenciou o avanço de legendas do chamado
“Centrão”, redesenhando o equilíbrio político da Casa.
Sistema proporcional e impacto na
distribuição de cadeiras
A eleição para deputado estadual no Brasil segue o
sistema proporcional. Nesse modelo, os votos são contabilizados tanto para os
candidatos quanto para os partidos, e a distribuição das cadeiras ocorre com
base no quociente eleitoral e no quociente partidário.
Esse mecanismo explica por que nem sempre os mais
votados individualmente garantem vaga automaticamente - o desempenho coletivo
das legendas é decisivo para a formação das bancadas.
O mais votado e os principais
destaques
O candidato mais votado em Pernambuco foi Pastor
Júnior Tércio (PP), com 183.735 votos, o equivalente a 3,66% dos votos
válidos. Em seguida apareceram:
- Coronel
Alberto Feitosa (PL) – 146.847 votos
- Delegada
Gleide Ângelo (PSB) – 118.869 votos
- Antônio
Coelho (UNIÃO) –
91.698 votos
- Rodrigo
Novaes (PSB) –
85.107 votos
O resultado revelou uma distribuição relativamente
pulverizada de votos entre diferentes partidos, refletindo a diversidade
política do estado.
Em dezembro de 2022, uma decisão do Tribunal
Superior Eleitoral alterou a composição inicial da Alepe: Lula Cabral
(Solidariedade) passou a integrar a lista de eleitos após revisão da
totalização dos votos.
PSB lidera, mas Centrão cresce
Na comparação com 2018, o Partido Socialista
Brasileiro (PSB) manteve a liderança na Assembleia e ampliou sua bancada de 11
para 14 cadeiras.
Entretanto, o dado mais relevante foi o crescimento
das legendas de centro e centro-direita. A União Brasil, inexistente como
partido em 2018 (resultado da fusão DEM-PSL), conquistou cinco cadeiras em
2022. O PL saltou de duas para cinco cadeiras, enquanto o Solidariedade passou
de uma para três.
O PP, que tinha 10 deputados em 2018, reduziu sua
bancada para oito em 2022.
A nova composição da Alepe ficou marcada por:
- 14
cadeiras do PSB
- 8 do
PP
- 5 do
União Brasil
- 5 do
PL
- 3 do
Solidariedade
- 3 do
PT
- 3 do
PSDB
- 3 do
PV
- Representações
menores de Republicanos, Patriota, PCdoB e PSOL
Mais diversidade partidária
Outro fenômeno observado foi o aumento da
fragmentação partidária. Partidos como PV e Patriota ampliaram sua presença na
Casa, sinalizando uma pulverização maior dos votos proporcionais.
Esse cenário amplia o desafio de articulação
política no Legislativo estadual, exigindo maior capacidade de negociação entre
bancadas para aprovação de projetos.
Renovação e continuidade
A taxa de renovação também chama atenção. Assim
como em 2018, quando cerca de metade dos deputados foi renovada, o pleito de
2022 manteve uma dinâmica significativa de alternância, com novos nomes
conquistando espaço ao lado de parlamentares experientes.
O que o resultado sinaliza
O retrato das urnas em 2022 mostra três movimentos
claros:
- Manutenção
do PSB como principal força política estadual.
- Crescimento
consistente de partidos do Centrão, alinhado ao cenário nacional.
- Maior
diversidade partidária e fragmentação na Assembleia.
O novo arranjo político da Alepe tende a influenciar
diretamente as pautas prioritárias do estado no período 2023–2026,
especialmente em áreas como desenvolvimento regional, segurança pública e
políticas sociais.
Mais do que números, o resultado revela um
Legislativo plural, marcado por disputas ideológicas e pela necessidade
constante de construção de consensos.

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